Discurso Semana Global – Dra. Sara M.A.G. Bernardes

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Discurso Semana Global – Dra. Sara M.A.G. Bernardes


Distintas amigas, distintos amigos gostaria de dar-lhes as boas vindas às atividades acadêmicas da Semana Global. É uma missão que me traz muito ânimo. O ano está chegando ao final, e com ele as nossas últimas edições destes Simpósios Internacionais, seja o Transdisciplinar ou o Simpósio focado nas Ciências da Saúde, que tem como espaço, o desenvolvimento de tutorias para dissertações e teses de mestrado e doutorado.
O Congresso Internacional compõe o quadro de eventos extensionistas previstos em nosso calendário letivo para esse ano. O nosso arrojado projeto educacional foi idealizado com uma forte vocação para a pesquisa científica e a internacionalização. Eu quero parabenizar cada um de vocês por não negociarem essa reunião inadiável entre você e o conhecimento de alta qualidade.
É bem verdade que ao longo desses 15 anos de gestão educacional na educação superior, já somam-se mais de 15.000 alunos integrantes dos nossos programas, desde a graduação, passando pela especialização, pelo mestrado e doutorado, estes incluídos em nossos projetos de internacionalização através do nosso programa de pós-graduação internacional, o maior de todos das Américas. São milhares de teses já desenvolvidas e defendidas com muito êxito, com louvor, fruto do trabalho, da galhardia intelectual dos nossos mestrandos e doutorandos, e agora, no projeto mais recente, os alunos da graduação e da especialização, muitos já graduados também no nível de especialização através dos nossos cursos.
Ao longo desses anos, tantos artigos têm sido publicados em dezenas de periódicos por nossa Editora, assim como tantos prêmios já foram compartilhados. A excelência no ensino reconhecida não apenas no âmbito local, mas nacional e internacional.
Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que mais de 17 milhões de pessoas foram impactadas positivamente pelo Grupo Educacional IESLA- ESJUS ao longo destes 15 anos de atuação em território nacional, transpondo as fronteiras nacionais, alcançando os territórios estrangeiros.
São mais de 2.000 professores, doutores, mestres e especialistas atuando de forma direta ou indireta com os nossos projetos pedagógicos, que tem também o condão de construir uma educação de forma personalizada, e vocês poderão ver durante as atividades deste congresso que a personalização é um dos pilares requeridos pela educação do século XXI.
Eu me sinto profundamente agradecida ao Criador e aos meus parceiros de jornada educacional pelo compromisso com a educação. Mas, não mais do mesmo que se oferece, e sim, uma educação diferenciada e de elevada qualidade, compromisso marcado por atos de verdadeira resiliência, disciplina, constante análise de feedbacks para que a tomada de decisão seja cada vez mais assertiva.
Neste novo cenário tão desafiador, em que diversas escolas e instituições, umas mais antigas e outras mais recentes, lamentavelmente encerraram suas atividades, acompanhamos com uma dor de luto cada vida impactada durante a pandemia. Nosso coração realmente se aperta por cada vida que se foi, por cada Instituição e por cada escola que fechou suas portas.
São realmente estrelas a menos nas constelações da aprendizagem e do desenvolvimento humano, e o que nos motiva a continuar apostando na educação e nas vidas que aqui estão.
São milhares de crianças, jovens, adultos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, buscando caminhos de aprendizagem. E ao pensar nesta Semana Global do Grupo Educacional IESLA-ESJUS, o fiz tomando como base, a educação, o empreendedorismo, a tecnologia e a inovação nesta sociedade altamente disruptiva.
Em meus estudos e pesquisas realizadas no decorrer do ano, aprofundei bastante na obra do escritor e historiador israelense, Yuval Harari, 21 lições para o século XXI. Ele conduz o leitor a uma reflexão importante sobre o que realmente manterá a espécie humana relevante sob vários aspectos, e entre elas, a educação. Hoje não se pensa na educação de forma apartada da tecnologia e da inovação, bem como a conexão com o empreendedorismo e com o mercado.
Na sua obra, Harari pondera que a última coisa que o professor precisa dar a seus alunos é a informação. Temos que estar atentos a distinção entre informação e conhecimento, pois na maioria das vezes cometemos equívocos. O historiador menciona que a informação é a última coisa que devemos estar preocupados em entregar ao aluno, devemos focar na entrega e na transmissão do conhecimento qualitativo.
Já na filtragem das informações que estão espalhadas nas redes de contatos, o que se deve construir de fato no aluno é a capacidade de extrair o sentido em uma informação e saber distinguir o que é importante daquilo que não é. Agora, é relevante combinar os múltiplos fragmentos de informações em algo contextualizado na realidade do mundo, ou seja, cada vez mais pede-se que a academia esteja conectada com a prática, com o mundo real. Muito já se fala sobre a construção dessas capacidades, no entanto, são poucas as Instituições de Ensino que levam isso a sério e incorporam o desenvolvimento destas competências e habilidades requeridas para o século XXI em seus currículos e projetos.
Aqui no Grupo Educacional IESLA-ESJUS, o pilar da internacionalização é o número um da nossa constituição enquanto instituição de ensino desde a nossa fundação, em 2007.
Em muitos aspectos, as escolas e universidades no Brasil, de modo geral, continuam reproduzindo aquela “Escola do Século XIX”. Aquela cujo foi impactada pelo auge da Revolução Industrial, em meados do século XIX. Muitos países da Europa e parte dos Estados Unidos começaram a implantar um sistema público de ensino e educação que atendesse aquele sistema do novo modo de produção. A pioneira deste modelo na Europa, foi a Hungria, em 1868, seguida depois pela Áustria, Inglaterra, e posteriormente, por Suíça, Holanda, Itália e Bélgica.
No livro, Libertando o Poder Criativo, do escritor inglês, Ken Robinson, é possível ver como foi elaborada esta logística que foi moldada para responder às demandas daquela época, atender aos anseios de uma classe média nascida em uma sociedade recém industrializada e preparar os jovens para dar vida longa a revolução industrial.
Nessa concatenação de ideias, o escritor e futurista, Tiago Mattos em seu livro Vai Lá e Faz, discorre sobre algumas características e distinções do que seria o pensamento industrial e o pensamento digital. Nós estamos vivendo a transição entre a era digital e a era pós-digital. No pensamento industrial existe a presença no aspecto linear, da segmentação, da repetição, da previsibilidade, do qual, em breves palavras, quero recordar que, a linearidade está claramente atrelada a lógica da linha de montagem, em que só é possível executar o passo de número 02, depois do passo de número 01 e o passo de número 03, após o passo de número 02, e assim sucessivamente. A evolução dos colaboradores desta indústria parte de um ponto inicial, crescendo em uma linha ascendente, de posições a serem ocupadas. Na era digital e pós-digital, não há o aspecto linear, e em relação a segmentação (na lógica do pensamento industrial), cada tarefa é
realizada por um grupo de pessoas separadas fisicamente, em departamentos responsáveis por determinadas atividades específicas de um processo construído.
O aspecto da repetição é muito presente também no modelo de pensamento industrial.
Uma pessoa realiza uma mesma tarefa ao longo do tempo, até se tornar especialista. Isso tem a ver com o processo industrial que prezava pela capacidade e pela velocidade de produção.
Além do aspecto de previsibilidade em que cada passo na linha de montagem épredeterminado, de tal forma que cada setor e pessoa envolvida no processo de produção, sabe como deve receber uma parte do produto e do serviço e como deve entregá-lo ao próximo setor ou pessoa subsequente, até que todo o processo seja efetivamente realizado.
Já no pensamento digital, não há essa linearidade. De fato, há uma profusão de informações e existem inúmeras possibilidades de combinações de elementos que surgem ao longo do caminho, ou seja, no passo um, não significa que a próxima etapa será o dois. O próprio objetivo poderá ser alterado ao longo do caminho, gerando aprendizagens novas em cada passo.
A multidisciplinaridade que é uma característica presente e inarredável nos contextos da era digital e pós-digital, está presente em nossos currículos, programas extensionistas e simpósios, veja que esta já é a 27ª edição do Simpósio Internacional Transdisciplinar de Teses e Dissertações. Ao longo destes 15 anos, são dois eventos anuais, um a cada semestre.
Foi a era digital que de fato nos trouxe essa possibilidade de se aprender sobre qualquer coisa a partir de combinações de diversas áreas, trazendo soluções mais criativas diante da realidade também diversa, múltipla e plural. Temos trabalhado de forma árdua e intensiva para transformar os currículos do nosso Grupo Educacional em currículos interdisciplinares.
Tudo isso é fruto do desenvolvimento científico, acadêmico e intelectual, que estamos desenvolvendo ao longo destes anos, que nos dá robustez e nos mantêm na vanguarda do segmento da educação no Brasil e no mundo.
O pensamento digital traz a ideia de exponencialidade, então, quando algum evento ocorre a ponto de não se conseguir controlar os impactos, acontece realmente uma ligação direta com a aleatoriedade, a volatilidade, a imprevisibilidade. O acrônimo americano VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity), descreve muito bem esse contexto em que estamos inseridos, nessa era de transição entre a era digital e a pós-digital em que a conectividade é a palavra de ordem.
No pensamento industrial era possível ao indivíduo viver isolado em suas tarefas, seus saberes, currículo e círculo social. No mundo digital não se faz praticamente nada sem estar conectado a um aplicativo, plataforma ou mídia social. Percebe-se que pelas características da era digital e pela mudança de paradigma em relação ao pensamento industrial, que as Instituições de Ensino devem acompanhar esse movimento VUCA, preparando indivíduos com altas habilidades e que abrem as barreiras do pensamento industrial gerando inovações.
É diante da revolução pós-digital que as Instituições de Ensino devem continuar construindo hábitos baseados no desenvolvimento destas novas habilidades e competências, fugindo da centralização, da conformidade, padronização, medição de desempenho de aprendizagem, simplesmente pela escala numérica, por exemplo.
Rememorando o autor Yuval Harari em seu ensaio sobre educação, ele apresenta o que muitos especialistas de pedagogia entendem ser a demanda que de fato levará as Instituições de Ensino a uma manutenção da relevância em sua proposta educacional. Sob esse contexto, o Grupo Educacional IESLA-ESJUS se coloca na frente e segue inspirando educadores de ensino superior aqui no Brasil e no exterior, porque de fato aplicamos desde a constituição do nosso Grupo Educacional, os quatro c’s: a criatividade, a comunicação, a colaboração e a criticidade. Trata-se de um conjunto de habilidades tão necessárias para viver em um mundo no qual as inovações geram profundas rupturas em mercados que antes eram
considerados sólidos.
Neste sentido, considero realmente urgente a construção de comportamentos, habilidades e competências cada vez mais valorizados pelo mercado de trabalho, nesta era da sociedade digital, em que a criatividade, adaptabilidade, iniciativa e a liderança são as palavras de ordem, do qual esses quatro “C’s” que mencionei, são realmente discutidos em diversas obras atualizadas, como a obra da pedagoga Cathy Davidson, intitulada, The New Education.
Essa modelagem tem servido de rumo para que as Instituições de Ensino que realmente assim como nós, inovem no processo de ensino e aprendizagem, bem como para gestores educacionais, pesquisadores, professores, enfim, todos aqueles que estão neste momento redesenhando os currículos e a forma de trabalhar os objetivos da aprendizagem,
procurando alcançar novos comportamentos e hábitos para que os alunos desenvolvam essas quatro competências.
Durante essa Semana Global, vocês terão subsídios altamente relevantes, que devem ser considerados por cada um, nessas próximas tomadas de decisão em relação aos novos rumos que as suas Instituições adotarão. Estas tecnologias digitais estão inseridas no contexto e são indispensáveis. As tecnologias digitais desempenham um papel importantíssimo na elaboração desses processos pedagógicos coerentes e relevantes com o contexto atual. O ensino híbrido e as metodologias ativas são potencializadas quando o curso envolve os domínios da tecnologia, tanto por parte do professor, quanto por parte do aluno.
O setor educacional é visualizado por mim com lentes muito positivas. Considero que ele irá se consolidar cada vez mais e as instituições terão que oferecer produtos diferenciados, assim como o nosso Grupo Educacional tem feito durante esses anos, oferecendo currículos robustos que realmente desenvolvam as competências e habilidades.

Agradeço por virem até nós, com o objetivo de buscar um pouco desse conhecimento e dessa referência. Vale lembrar que fomos uma das primeiras instituições no Brasil a lançar um Simpósio Transdisciplinar de Teses e Dissertações. Somos também, a primeira instituição
no Brasil a adotar as neurociências e o mindfulness, tanto na graduação, quanto na pós – graduação. Realmente me orgulho muito em recordar dessas características diferenciadas que procuramos inserir em nossa proposta educacional de nível superior e, é por isso que estamos
comprometidos e evidenciando a razão e o porquê de estarmos na vanguarda, de inspirarmos e formarmos grandes líderes para o mercado.
Entre os inscritos nessa Semana Global, nós temos pesquisadores renomados, gestores educacionais, empreendedores, professores universitários, profissionais das mais diversas áreas, em busca de conhecimento atualizado nas temáticas propostas pelo evento. Que alegria
ter cada uma de vocês e contar com a presença de todos durante esta semana.
Imbuída deste propósito genuíno de formar líderes inovadores e reunir grandes professores, mestres e doutores da área da educação como conferencistas, nas atividades do congresso que se inicia nesta tarde, eu quero destacar alguns nomes, Ricardo Rabinovich, diretor e professor do Doutorado em Direito da Universidad de Buenos Aires, instituição
parceira do Grupo Educacional IESLA-ESJUS, desde a nossa fundação. Destaco também, Óscar Souza, diretor e professor do curso de Mestrado em Ciências da Educação na Universidade Lusófona – Portugal, Stephen Rathinaraj, professor e membro do nosso banco de orientadores e, por fim, Marta Tenutto, diretora e professora do Doutorado em Educação da Universidad de Palermo em Buenos Aires. Grandes expoentes da educação nacional e internacional estarão proferindo suas palestras, suas conferências, transmitindo conhecimento para vocês. Além disso, destaco importantes nomes da nossa casa, como os professores Joaquim Miranda, Anderson Alcântara, Bruno Stefani e tantos outros nomes, pessoas com
sólidas formações acadêmicas, mas também com experiência na prática. Quero destacar os nossos professores do Grupo Educacional IESLA-ESJUS que são centenas, o meu abraço a todos vocês. Todos possuem um histórico fantástico em suas trajetórias e carreiras e, é por isso que estão aqui conosco, impulsionando as atividades do nosso Grupo Educacional, meus
agradecimentos a todos vocês. A cada aluno e aluna desde a graduação até o doutorado.
Quero agradecer também, a luxuosa participação especial da nossa equipe de TI e das secretarias do evento, lideradas pelo nosso presidente da casa e diretor dos departamentos administrativos, Jasube Gouveia, através de sua equipe, Raphael, Luana, Juliana, Daniele e tantos outros nomes, que são dezenas. Quero mencionar a nossa coordenação de cursos, destacando o profissionalismo e a competência dos coordenadores de curso e todo o corpo docente liderados pelos coordenadores, Bruno Stefani e Alexandre Sibalszky, ambos professores doutores, agentes de facilitação da educação e do empreendedorismo inovador, que vão garantir um setor da educação superior mais dinâmico em um trabalho sempre colaborativo.
Realmente a educação liberta e rega as sementes do conhecimento, lançando luzes no pensamento de Nietzsche que disse: “Aquele que tem um porquê para viver, pode suportar quase qualquer como”. Nós do Grupo Educacional IESLA-ESJUS educamos porque amamos, amamos vidas! E o amor é invencível em todas as batalhas.
Eu espero que você aprecie os nossos eventos que intencionamos e planejamos entregar a vocês, uma experiência acadêmica única, enriquecedora, e que todos se sintam abraçados por mim, e mais uma vez, parabéns por se inscrever, desejo um ótimo evento a todos. Muito obrigada.

Belo Horizonte – MG, 24 de Novembro de 2020.

Profa. Dra. Sara Bernardes

Fundadora e Reitora do Grupo Educacional IESLA-ESJUS

Grupo Educacional IESLA-ESJUS